Essas mulheres mudaram o ciclismo para sempre

No Dia Internacional da Mulher, conheça -- ou relembre -- mulheres que já fizeram e ainda fazem muito pelo esporte

(Foto: Wagner Romano)

No dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. É um excelente momento para refletirmos sobre os progressos realizados na sociedade e também pensarmos o quanto ainda podemos e devemos evoluir para um mundo de mais igualdade, certo?

E vamos ser francos: a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são temas que não devem sair da pauta o ano inteiro.

>> Um pedal para mostrar a força delas no ciclismo

Mas decidimos aproveitar a data para relembrar sobre 6 mulheres ciclistas que, com muita determinação e atitude, mudaram o esporte para melhor. Se liga:

Maria Lima, a “Índia”

(Foto: Wagner Romano)

Nos anos 1970, a pioneira Maria Lima, a “Índia”, já girava pelas ruas e estradas de São Paulo descobrindo no pedalar uma forma corajosa e libertadora de encarar a vida (e servindo de inspiração para muitas futuras gerações de ciclistas). Se você se acha na vanguarda por trocar o carro pela bike, por ter descoberto que com sua bicicleta dá para se pedalar centenas de quilômetros em rolês incríveis, ou ainda por ter sacado que a magrela é uma baita janela para se ver o mundo de um jeito diferente, saiba que Maria Martins Lima já vivia tudo isso na década de 1970. Desde aquela época, essa mulher forte e inspiradora já encarava pedais que muito marmanjo ainda vai suar bastante para conseguir completar. Maria tem hoje 74 anos. Na conta pessoal, são oito romarias de Caloi 10 de São Paulo para Aparecida (ida e volta em um trajeto de 180 km), diversas viagens para Pirapora do Bom Jesus, a 50 km da capital paulista, além de muitos anos como costureira em domicílio, ofício que a levava de bike às casas dos clientes. Como se não fosse suficiente, acumula três anos na função de vendedora do “Círculo do Livro”, um clube de assinaturas nos anos 1970 que chegou a ter 800 mil sócios e que fazia Maria rodar pela cidade com muitos quilos de papel no alforje improvisado. “O transporte público era horrível, caro e demorado. De bike, eu chegava ao centro muito mais rápido. Fora que eu dependia só de mim e sempre confiei no que faço”, ensina. Da casa onde morava até o centro da cidade, ida e volta, dava uns de 50 km, distância que ela cobria com frequência, quando ia buscar aviamentos na rua 25 de Março.  “Com a bicicleta, aprendi a fazer tudo sozinha, na teima, insistindo”, conta Maria, dedicada a artesanatos e costura e que até desenvolveu seus alforjes. Sem contar que ela mesma colocou a mão na massa para construir a própria casa. (Verônica Mambrini)

Marianne Vos, atleta e ativista

(Foto via Facebook)

Por que não existe um Tour para mulheres? Se você perguntar à holandesa Marianne Vos, 12 vezes campeã mundial, ela vai rir e dizer, com seu sotaque holandês: “Bom, é uma resposta bem longa”.  A questão cai diretamente nos dilemas mais difíceis de abordar o esporte, incluindo atitudes culturais e obstáculos financeiros. Apesar de ter competidoras fortes e boas performances no cenário mundial, cobertura, prêmios em dinheiro e suporte financeiro, o ciclismo feminino profissional sempre foi eclipsado pelo masculino. Ainda assim, persiste, mesmo à sombra do Tour de France. Veja como o pelotão feminino tem batalhado pelo seu lugar ao sol ao longo da história. Em 2013 quatro ciclistas mulheres criaram uma petição que exigia um Tour de France feminino. Se intitulando Le Tour Entier, Chrissy Wellington, Emma Pooley, Katherine Bertine e Marianne Vos encabeçaram a iniciativa. ”Nós queremos um Tour de France feminino de volta ao calendário oficial”, disse Vos. “Claro que é um objetivo grande.” Mas claro que Vos, ainda na ativa, está disposta a levar as mulheres ao patamar de igualdade que elas merecem.

Jaqueline Mourão, força que não tem fim

(Foto: @paulaperesf)

Em 2018, aos 42 anos de idade, Jaqueline conquistou, em 2018 em São Paulo, o Campeonato Brasileiro de Mountain Bike (organizado pela CBC) na categoria elite, competindo contra atletas da nova geração e mostrando que esse esporte está no sangue. Na última década, Jaqueline Mourão estava mais dedicada aos esportes de neve, outra paixão levada a sério através de esportes como o esqui cross-country e o biathlon. Em 2012, ela se tornou a primeira brasileira na história a disputar um mundial de biathlon. Jaque já fez muita história: tornou-se a primeira e única brasileira a disputar uma prova de Mountain Bike Olímpica (Atenas 2004), a primeira e única brasileira a disputar os Jogos Olímpicos de Verão e Inverno (Torino 2006), e a única atleta brasileira a disputar duas versões distintas dos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno (Pequim 2008 e Vancouver 2010). E ela ainda quer mais!

Kittie Knox, uma lutadora

Como ciclista mulher e negra em pleno século 19, a norte-americana Kittie Knox rompeu barreiras no esporte e na sociedade. Kittie peitou organizações racistas para se tornar uma das maiores ativistas da história, que foi uma das principais figuras do ciclismo mundial. E isso porque Kittie morreu com apenas 26 anos, vítima de uma doença renal.

Annie Cohen Kopchovsky, à frente de seu tempo

Em 1894, Annie chocou o mundo ao declarar que daria uma volta ao mundo de bicicleta. E o que começou com uma aposta terminou sendo uma dos mais épicos contos sobre duas rodas. Annie, que era casada e tinha filhos na época em que viajou, rompeu barreiras sociais e atléticas para concluir com êxito um feito até então sem precedentes.

Flavia Oliveira, mais forte do que nunca

(Foto via Facebook)

Flavia é atual campeã brasileira de ciclismo de estrada. Mas ela já fez muito mais para o ciclismo: em 2016, ela fez história na olimpíada Rio 2016, depois de conquistar um heroico 7º lugar. Em novembro de 2018, Flavia, que mora nos Estados Unidos e integra uma equipe internacional de ciclismo, sofreu um grave acidente enquanto treinava no Rio de Janeiro. Atropelada por um motorista, ela fraturou a bacia e sofreu diversas escoriações. Mas tudo indica que Flavia voltará em breve, mais forte do que nunca!