Autoridades espanholas prendem quadrilha que traficava EPO

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A Guarda Civil Espanhola anunciou na última quinta-feira (30) ter desmontado um esquema internacional de tráfico de substâncias de doping baseado em Barcelona, na Espanha. A investigação estava sendo conduzida faz 3 anos e revelou uma quadrilha formada por sérvios, um deles residente em Barcelona, que enviava as substâncias banidas para atletas amadores e profissionais em vários países europeus, de acordo com o jornal El País. 

“A investigação foi lançada no meio de 2017, quando uma série de atletas pegos por uso de EPO em testes anti-doping, colaboraram conosco informando que eles compraram as substâncias de um site que fornecia a partir de Cádiz, e nos deram alguns nomes”, disse José Luis Terreros, diretor da agência anti-doping da Espanha (AEPSAD), que repassou as informações à Guarda Civil Espanhola. 

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O esquema tinha participação de uma clínica de diálise em Cádiz, parte do sistema de saúde pública. Outra reportagem, do L’Equipe, afirma que a droga era obtida pelo gerente da clínica, de nacionalidade espanhola. A quadrilha então vendia produtos para doping como hormônios, estereoides e EPO por vários sites, com domínios como www.epobest.com. Só no ano passado, 260 pessoas compraram deles, entre atletas amadores e profissionais de vários esportes, inclusive ciclismo.

A Corte Provincial de Cádiz tem uma lista de nomes que será enviada para a agência antidoping da Espanha. Os investigadores prevêem que entre nos nomes, esteja “um grande número de atletas nacionais e internacionais de diferentes esportes e níveis, que usaram doping para aumentar sua capacidade física”. 

A seção de Saúde Pública e Doping da Guarda Civil Espanhola, que conduziu a investigação, prendeu e investigou seis pessoas na Catalunha e na Andaluzia, acusadas de crimes contra a saúde pública, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, apropriações indevidas e fraudes contra o Serviço Social, de acordo com o El País. 

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A comunicação entre os compradores e os vendedores era feita por mensagens encriptadas por um número de telefone austríaco, de acordo com o El Pais. A investigação teve acesso a informações dos compradores, como e-mails, pagamentos e recibos comprovando os pedidos. 

A Guarda Civil ressaltou que a qualidade do EPO era questionável, já que cerca de 850 seringas e outras substâncias foram descobertas na clínica em más condições de armazenamento. “O EPO era de primeira qualidade e não estava vencido, mas os vendedores, apesar de fazerem o envio em embalagens que supostamente manteriam a refrigeração, não armazenavam a substância em local climatizado. Então além de não ser eficaz, pode ter até causado danos a saúde de quem a tenha usado”, disse Terreros.