Brasil ganha duas provas de ciclismo de respeito este ano

Axl Carion, Vinicius Martins e Breno Bizinoto, organizadores do Biking Man Brasil, testam o percurso da prova. Imagem: César Delong e BikingMan Brazil

Em 2020, duas provas de ciclismo casca-grossa vão animar os treinos de quem pedala a sério: a Haute Route, grife no ciclismo de estrada, e a Biking Man, de ultradistância. Elas impressionam pelos números: o BikingMan vai acumular 1.000 km e entre 16 e 17 mil metros de altimetria acumulada, com bons 250 km de terra no meio, em um pedal autossuficiente. Com estilo totalmente diferente, a Haute Route ganha sua primeira edição brasileira. 

Nos últimos anos, a Haute Route vem atraindo o público brasileiro. Percorrendo cenários míticos como Dolomitas ou Alpes, a premissa da prova é sempre oferecer um percurso desafiador, com um alto ganho de altimetria. Apesar de ser voltada para atletas amadores, a prova “oferece a estrutura mais próxima possível que o atleta vai ter da experiência de uma prova profissional”, diz Fernando Palhares, um dos organizadores da prova no Brasil. 

O Haute Route Brasil será na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina. Imagem: Ana Borba – Haute Route Brasil

“Vimos que nas últimas edições no exterior da Haute Route tivemos cerca de 200 participantes brasileiros, o que colocou o país no radar”, conta Fernando, que espera que cerca de 70% dos inscritos sejam brasileiros. A prova será de 11 a 13 de setembro, em três etapas em Santa Catarina, na região da Serra do Rio do Rastro. Serão 222km e 5.500 metros de altimetria acumulada.

A região foi escolhida por atender os critérios de altimetria e infraestrutura num local cênico. “A serra catarinense é um cartão postal, e subir a Serra do Rio do Rastro é um dos destinos mais desafiadores do Brasil, com uma subida de 16 km.” A serra estará fechada para veículos, dando segurança máxima aos atletas. O evento vai ter um contrarrelogio individual que larga da recém-reinaugurada Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. 

Aliás, é pela experiência que o evento se diferencia. “O valor da inscrição está alinhado ao perfil do atleta que participa desse tipo de prova. Além da organização no padrão técnico da Haute Route, é um evento de experiência para o atleta, em cima da bike e na hora em que ele está fora da bicicleta. A village tem uma estrutura de convivência com uma série de serviços: refeição, happy hour, simpósio pós-prova, serviços de recovery. A inscrição inclui um kit com road book da prova com quase 30 páginas com serviços e detalhamento do percurso, suporte médico e mecânico durante o percurso, fit stations, mochila e camisa de ciclismo”, explica o organizador. 

A acomodação é a parte, mas os atletas podem contratar tanto a hospedagem nos hoteis em Urubici e Florianópolis junto com a compra da inscrição, assim como contratação do transfer do aeroporto para Urubici. O deslocamento depois da etapa 2 de volta para Florianópolis está incluída no custo da inscrição. 

BikingMan estreia no Brasil

Se você não faz tanta questão de massagem pós-prova, refeições gourmet e uma certa badalação, talvez seu foco seja a BikingMan. Também uma franquia com provas em percursos lindos (e difíceis) como os andes peruanos, a versão brasileira da prova será na Mantiqueira, serra que passa pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e terá 1.000 km, com previsão de altimetria acumulada de até 17.000 metros.

“Axl Carion, fundador da BikingMan, está no Brasil, para ajudar a acelerar as parcerias e conhecer a rota. Nada como um gringo para captar a sensação do pedal aqui e passar para outros gringos”, conta o ultraciclista Vinícius Martins, que está organização local da prova. “Faz três anos que estou conversando com ele para trazer o evento para cá. Não tem nenhum evento com essa pegada de ultra distância aqui”, conta à Bicycling, diretamente do pedal de reconhecimento da prova.

Com quase 17.000 metros de altimetria acumulada, o Biking Man será na Mantiqueira. Imagem: César Delong e BikingMan Brazil

Cerca de 250 km do percurso devem passar por terra. A prova será em 7 de junho, com duração de 5 dias. “É a semana de Corpus Christi, fica mais fácil de compatibilizar com o trabalho. Mais fácil para tirar a semana de folga com o feriado, numa época que não tem tanta chuva nem calorão infernal”, conta Vinicius.

Sem assistência externa ou carro de apoio, os atletas inscritos no BikingMan devem ser autossuficientes, levando sua própria comida, ferramentas, fazendo sua própria navegação. Além das condições extremas, os cenários da série 2020 são épicos e cheios de aventura: Omã, na Península Arábica; Córsega, ao sul da Itália, os andes peruanos; a cordilheira do Algarve, na Península Ibérica; Laos, no sudeste da Ásia, e claro, a Mantiqueira, no Brasil.   

De acordo com Vinicius, a expectativa é entre 50 e 75 inscritos. Apesar da prova ser autossuficiente, os ciclistas são acompanhados por chip durante a prova, para o caso de emergências. A BikingMan Mantiqueira deve consolidar o circuito em uma rota de cicloturismo. “O brasileiro vai descobrir um Brasil que ele não conhece”, diz Vinícius. A inscrição custa US$ 250. 

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