Ciclista paralímpico morre atropelado em estrada na Austrália

Por Jessica Coulon, Bicycling US - Adaptado por Fernanda Rosa

Foto Heath Campanaro - Comitê Paralímpico Australiano

Ciclista paralímpico morre atropelado

O australiano Kieran Modra, 47, um dos maiores ciclistas paralímpicos de sua geração, morreu atropelado enquanto treinava na estrada, em Kingsford, em seu país natal.

Entre suas conquistas, estão cinco medalhas olímpicas, além do incentivo ao ciclismo tandem (em dupla).

Segundo o Departamento de Polícia da Austrália do Sul, o acidente aconteceu enquanto ele pedalava por volta das 7 horas da manhã. O carro que o atingiu trafegava na mesma direção do atleta, que morreu na hora.

Kieran deixa sua esposa, Kerry, e três filhos.

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Nascido com uma deficiência visual conhecida como atrofia óptica juvenil, Kieran era um atleta talentoso em muitos esportes. Competiu em oito edições de Jogos Paralímpicos, começando nas Paraolimpíadas de Seul, em 1988, no esporte de dardo e atletismo.

Uma lesão no joelho o fez mudar para a natação, e nas piscinas ganhou duas medalhas de bronze nos Jogos Paralímpicos de Barcelona de 1992.

O ciclismo tandem paralímpico entrou em sua vida em 1995. Sua primeira medalha de ouro na modalidade foi em Atlanta, em 1996, onde teve como ciclista parceira — que pedala no selim da frente da bike tandem — sua futura esposa, Kerry Golding.

Nos Jogos Paraolímpicos de Atenas em 2004, tornou-se o primeiro ciclista a competir em todas as cinco disciplinas em uma única edição dos Jogos. Dessa vez, levou ouro tanto no contra-relógio 4K quanto no sprint de 200 metros. Além disso, também ganhou medalha de bronze na prova de ciclismo de estrada, de 110 km.

O ciclista paralímpico morre, mas deixa seu legado

“Kieran era um gigante do esporte paralímpico australiano, não apenas por seu sucesso competitivo, mas também por sua contribuição mais ampla ao movimento paralímpico em vários esportes ao longo dos anos”, disse Lynne Anderson, diretora executiva do Comitê Paralímpico Australiano. “Seu legado permanecerá vivo.”

Segundo a Cycling Australia (a Federação Australiana de Ciclismo), Kieran já havia sido atropelado por um carro em dezembro de 2011, quando teve duas vértebras do pescoço quebradas.

Entretanto, depois disso, ele ainda conquistou uma medalha de ouro nos Jogos Paraolímpicos de Londres em 2012.

“Isso é uma tragédia, e não apenas para as pessoas afetadas diretamente. Os motoristas precisam começar de fato a entender que suas atitudes têm impacto gigantesco”, declarou Bob Gray, superintendente do Departamento de Polícia da Austrália.

Bob confirmou que o limite de velocidade no trecho da estrada em que ocorreu o acidente é de 110 km/h. Ele reconhece que há riscos inerentes em andar de bicicleta em rodovias, mas afirmou que, se os motoristas respeitassem a velocidade máxima e a distância necessária a se manter do ciclista, acidentes assim seriam mais raros de acontecer.

“Estradas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”, disse ele.

Não foram apresentadas acusações contra o motorista, mas a investigação está em andamento.