Como ser vegano pode te tornar um ciclista melhor

Por Erika Sallum

Foto Justin Weeks

Ser ciclista vegano nem sempre foi encarado como sinônimo de boa performance. Mas a ciência e ciclistas que deixaram de comer alimentos de origem animal estão provando o contrário. Basta fazer as substituições corretas que seu organismo vai responder com mais saúde, leveza e prazer em cima da bike.

A seguir a ciclista brasileira Julia Favero, radicada na França, conta um pouco de sua experiência em seu dia a dia vegano em Montpellier, onde mora.

“Tudo começou quando me inscrevi para o Haute Route Ventoux, uma prova de três dias, 268 km e 7.980 metros de ascensão acumulada que acontece em uma das montanhas mais míticas da Europa para quem ama pedalar. Eu estava bem fora de forma por conta do inverno na França – para onde me mudei em 2017 depois de morar anos no Rio de Janeiro. Comecei a treinar como uma louca e a fazer mudanças no cardápio na tentativa de me preparar para a prova.

Eu havia lido que proteína era importante para o ganho muscular, então entrei a fundo em uma alimentação cheia de proteína animal, tipo ovos no café da manhã, carne vermelha e queijo no almoço e carne branca no jantar.

Depois de um mês comendo assim, eu fiquei me sentindo bem para baixo. Ganhei mais peso e pela primeira vez na minha vida comecei a ter espinhas. Nunca acreditei na palavra ‘detox’, sempre achei meio marqueteira, mas eu estava realmente me sentindo intoxicada e decidi que precisava fazer algo.

Na mesma época, por coincidência, minha filha de 8 anos me comunicou que não gostava mais de carne e que pararia de consumi-la – e isso facilitou ainda mais nossa rotina. Comecei a perder peso, minha pele mudou da água para o vinho e passei a me sentir muito melhor e mais bem disposta!

O MEL É MELHOR QUE O AÇÚCAR?

Tempos depois, conheci meu marido, Justin, que é vegano. Com ele, fui percebendo que dá, por exemplo, para preparar refeições sem ovos – o que, para mim, que amo cozinhar, era impensável até então, pois várias receitas levam ovos. Nunca me senti tão bem e parei de ficar doente, o que acontecia todo inverno.

Julia Favero, ciclista brasileira radicada na França – Foto Justin Weeks

Minha recuperação depois de cada treino de bike é mil vezes melhor, e sinto que a fase logo após o inverno, estação do ano em que ganho peso e perco músculos, também ficou mais curta. Tenho receio de falar que sou vegana, pois muitas pessoas associam essa palavra a algo fervoroso, quase uma religião.

E elas têm certa razão, pois há muita doutrinação e intolerância por parte de alguns adeptos do veganismo. Para esses, quem não é vegano (ou pior, quem já foi e mudou de ideia) se torna alvo de verdadeiros linchamentos na internet, por exemplo. Há uma outra questão além do bem estar físico: o impacto que o consumo de carne traz para o meio ambiente.

Sem falar nos horrores do abuso animal cometidos por essa indústria. Isso tem me deixado mais feliz comigo mesma, e era algo difícil de perceber quando se nasce e cresce em uma sociedade tão consumidora de proteína animal quanto a brasileira. Minha decisão foi algo puramente pessoal, baseada nas minhas próprias experiências.

Não sou extremista e não gosto de ‘pregar’ o que quer que seja. Mas, antes, eu nunca havia refletido sobre as questões ambientais como faço agora. Minha principal fonte de proteína atualmente é um dos alimentos mais acessíveis e deliciosos que existem, especialmente para os brasileiros: feijão. Vermelho, preto, branco, verde.

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Também como grão-de-bico, tofu, derivados de soja, lentilhas, palmito, seitan e por aí vai. É tanta opção, que dá para variar o cardápio o tempo todo. Ser vegano não é só comer folhas, muito menos significa que tudo o que se come é 100% natural ou pouco calórico.

Continuo consumindo, com muita moderação, exatamente tudo o que eu comia antes: bolo, torta, sorvete, pizza, biscoito, salgadinho, chocolate etc. A diferença é que não trago mais para o meu organismo nada que venha de animais. Eu me sinto leve, em vários sentidos, incluindo em relação à natureza.”