Nino Schurter, octocampeão mundial de MTB, revela o seu segredo

Depois de um segundo semestre impecável em 2019, o suíço Nino Schurter já mira Tóquio 2020

Nino Schurter
(Foto: @svenmartinphoto / via Instagram)

>> O suíço Nino Schurter conquistou seu oitavo título no Campeonato Mundial de Mountain Bike Cross-Country da UCI em 31 de agosto. Ele terminou à frente de Mathias Flückiger (2º) e Stephane Tempier (3º).

>> Schurter credita a consistência em seu treinamento, juntamente com seu foco em exercícios de agilidade, para tornar-se um atleta tão forte.

Em 31 de agosto, o suíço Nino Schurter (Scott-SRAM MTB Racing) cruzava para o oitavo título do Campeonato Mundial de Mountain Bike da UCI, em Mont Sainte Anne, Quebec, no Canadá. Isso aos 33 anos de idade. Ele também já é dono de ouro olímpico, prata e bronze, além de dezenas de vitórias e feitos impressionantes na Copa do Mundo – como na última etapa de 2019, em que liderou o pelotão em uma busca frenética ao brasileiro Henrique Avancini, que liderava a prova depois de Nino ter um pneu furado.

“Desde o Rio, sinto um pouco menos de pressão. Eu consegui meu maior objetivo, o ouro olímpico, e agora posso relaxar. Eu já ganhei muito. Se não der certo, tudo bem”, disse Nino.

“Foi muito legal vencer o meu oitavo campeonato mundial em uma pista tão lendária”, completou. “Eu trabalhei duro este ano rumo a esse objetivo, e é obviamente importante no ano que vem estar em Tóquio. Eu sei que posso lutar pelo ouro lá.”

A quem ele tem que agradecer por isso? Consistência: como Nino Schurter refletiu sobre sua vitória em 2019, ele percebeu que seu treinamento e sua mentalidade permaneceram constantes ao longo desses anos todos – algo que pode muito bem ser seu segredo para o sucesso.

A vitória de Schurter em Saint Anne não foi graças a um novo plano de treinamento ou mudança de treinador – era a confiança de Schurter em permanecer nas coisas que funcionam para ele há duas décadas.

Faça o treinamento dele. Siga Nino Schurter no Instagram, e você provavelmente notará o uso da hashtag #noshortcuts. Seu regime de treinamento constante faz parte disso.

“Eu tinha um plano de treinamento bastante moderno para o mountain bike há 15 anos. Muitas pessoas treinaram como ciclistas ”, disse ele após a cerimônia no pódio. “Mas eu já estava fazendo muito trabalho de coordenação. Eu ainda faço quase o mesmo treinamento agora.”

Seus exercícios de coordenação tornaram-se lendários, fazendo com que muitos outros praticantes de mountain bike começassem a trabalhar agilidade de outras maneiras. Ele compara esse tipo de treinamento a “pedalar em um jardim técnico de rochas ” – um rock garden, como é chamado no moutain bike.

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“Tive a vantagem de iniciar esse treinamento de agilidade mais cedo – quando você é mais jovem, aprende mais rápido, e esse foi o meu maior benefício”, disse.

Ele treina na academia, mas ao ar livre é onde ele realmente aprimora suas habilidades.

“Eu moro num lugar perfeito para o mountain bike – no meio dos Alpes”, diz. “Então eu tenho trilhas técnicas ao meu redor. Cada pedalada treina minhas habilidades técnicas, o que é muito legal com isso incorporado. Gosto de sair com uma bicicleta de viagem mais longa para andar em lugares ainda mais técnicos.”

Schurter admite que não mudou muito desde a primeira vitória no Campeonato Mundial, há 10 anos.

“Eu tive quase o mesmo time desde o início da minha carreira em 2003. Eu tinha [o profissional de longa data] Thomas Frischknecht na minha equipe, e ele me ensinou muito no início.”

Schurter está levando adiante o que já funcionou para ele no passado: Tóquio já está em seus horizontes, e ele estará brigando pelo ouro lá. Mathieu Van der Poel, que perdeu o campeonato em Sainte Anne para se preparar para o Campeonato Mundial de Estrada no final deste mês, será um dos seus principais adversários, além do brasileiro Henrique Avancini.

Mas Schurter não parece preocupado – ele sabe que só vai se beneficiar disso tudo.

“Acho que só fiquei mais forte com as batalhas contra meus adversários – não acho possível se tornar mais forte sem esse nível de competição”, concluiu.