“Sou gorda e não preciso mudar o meu corpo”, diz ciclista sobre a ditadura da magreza no esporte

O verdadeiro problema está em nossa cultura em torno do esporte e em nossas ideias sobre o que é ser atlético

sou gorda

 “Sou gorda e não preciso mudar o meu corpo”

Texto: Kailey kornhauser; Fotos: Gritchelle Fallesgon

“Eis a real: eu sou gorda. Uso tamanhos que variam de Extragrande a XXL. Quando comecei a andar de bicicleta, fiquei preocupada em encontrar roupas que me servissem. Presumi que, como acontece com muitas marcas de roupas esportivas, os tamanhos disponíveis seriam muito limitados. Fiquei agradavelmente surpresa ao descobrir que marcas populares de roupas de bicicleta, como Pearl iZumi, De Marchi e Terry têm tamanhos XXL para shorts femininos. Para ciclistas gordos, no entanto, esse não é o maior problema.

O verdadeiro problema está em nossa cultura em torno do esporte e em nossas ideias sobre o que é ser atlético. Há uma diferença entre quem mexe com o corpo porque quer e quem mexe com o corpo porque precisa consertá-lo, de alguma forma.

Ciclistas com corpos grandes são amplamente apagados da imagem pública. Não nos vemos em materiais promocionais para eventos de bicicleta, em anúncios de fabricantes nem empresas de roupas. Não nos vemos também no Instagram.

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Quando estamos representados na mídia em torno do esporte, é com a intenção de “vender a perda de peso”. Mas não estou tentando perder peso. Eu pedalei milhares de quilômetros neste corpo gordo através dos estados de Iowa, Utah, Oregon e Alasca. Eu andei de bicicleta por cordilheiras remotas e densas florestas tropicais. Meu corpo gordo, e outros corpos gordos, estão andando de bicicleta por todos os lugares, movendo-se alegremente em roupas de elastano apertadas.

Mas essa nossa eliminação da mídia é real e significativa. Se pessoas gordas não estão representadas na mídia de ciclismo, duas coisas acontecem. Pessoas gordas não se veem como ciclistas, então não andam de bicicleta, e a comunidade de ciclistas é incapaz de ver um ciclista gordo como um atleta. O resultado são menos pessoas em bicicletas. Um verdadeiro desserviço ao esporte.

A comunidade de ciclistas tem a oportunidade de mudar. O ciclismo é uma maneira acessível para muitas pessoas de todos os tamanhos moverem seus corpos se o espaço for criado. E se começássemos a ver imagens de ciclistas gordos pedalando ao lado de amigos magros ou grupos de pessoas gordas pedalando juntas, curtindo seus corpos exatamente como estão agora? Como seria incluir ciclistas gordos em filmes sobre ciclismo ou empresas trazerem ciclistas gordos para criar equipamentos que funcionem para seus corpos?

As pessoas gordas já estão fazendo esse trabalho nos esportes. Os trekkers gordos criaram comunidade e continuam a influenciar marcas como a REI para fornecer mais tamanhos de roupas. Os corredores gordos estão começando a aparecer nas revistas como especialistas em seu esporte. Ciclistas gordos estão escrevendo sobre suas experiências e compartilhando histórias em espaços como o WTF Bikexplorers Summit. Mas uma mudança cultural exige que todas as pessoas, não apenas as gordas, aceitem que nossa ideia de atletismo é falha.

Meu corpo gordo começou a me surpreender no momento em que me aproximei do ciclismo como um estilo de vida. Sou gorda, sim! E eu sou uma atleta agora. E não em algum corpo magro alternativo.”