Vendedores de produtos piratas de bike terão de pagar milhões à Specialized

Por Dan Roe, Bicycling US - Adaptado por Fernanda Rosa

Produtos piratas de bike podem ser encontrados em muitos sites, aqui e lá fora. E, mesmo lutando contra a pirataria, muitas marcas não conseguem acabar com as fraudes online.

Porém houve um avanço. Em junho deste ano, a norte-americana Specialized entrou com ação cível contra 43 vendedores anônimos de e-commerce que comercializavam produtos falsos com o logo da empresa. A maioria deles operava no AliExpress, gigante chinês do comércio eletrônico.

“Essas não são lojas de bicicletas ou negócios legítimos”, afirma Andrew Love, chefe do departamento de segurança e contra-pirataria da marca. “Tratam-se de falsificadores de comércio eletrônico, simples assim”, completou.

No mês passado, um tribunal do sul da Flórida expediu uma sentença em favor da Specialized. No documento, foi declarado que a empresa deve receber até US$ 1 milhão de cada vendedor por danos. De acordo com documentos judiciais obtidos pela Bicycling USA, a marca receberá no total algo em torno de US$ 43 milhões.

BRASILEIRO VIAJA PARA 196 PAÍSES EM 543 DIAS E QUEBRA RECORDE
CICLISTA PARALÍMPICO MORRE ATROPELADO EM ESTRADA NA AUSTRÁLIA
SAIBA O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ DEIXA SUA BICICLETA PARA FORA

A decisão incluiu liminares que impedem os vendedores de continuar a comercializar mercadorias com o logo da Specialized, e ainda exige a transferência de nomes de domínio do vendedor para a fabricante de bikes. Além disso, obrigou processadores de pagamento e instituições financeiras como Paypal a passar os lucros dessas vendas para a Specialized.

Das 38 lojas do AliExpress e duas do Wish.com nomeadas no julgamento de outubro, 19 foram fechadas. Entretanto outras 19 permanecem abertas e operando normalmente.

Apesar da ordem de restrição temporária, os vendedores continuam a comercializar equipamentos falsos não autorizados da Specialized.

O mercado produtos piratas de bike prospera
Foto Divulgação

Você pode encontrar quase tudo em sites como o AliExpress (parte do grupo chinês de comércio eletrônico Alibaba Group), Wish.com e DHGate.

A maioria desses produtos não tem marca e possui um grau variável de semelhança com produtos fabricados por empresas legítimas de bicicletas.

Os vendedores envolvidos no processo da Specialized que ainda operam têm jerseys parecidas com modelos das marcas Santa Cruz, Liv e Mavic — só que vendidos por por apenas US$ 10. Também vendem componentes como capacetes e selins que se parecem com produtos Specialized, mas que não exibem o famoso logo “S.”

Por exemplo, este selim parece com o Romin Evo Comp Gel e carrega a marca Body Geometry da Specialized, um item de US$ 130. A imitação, por sua vez, custa apenas U$ 24 (foto).

Compare esta lanterna traseira de U$$ 9 com o modelo Flashback de US$ 20 da Specialized. Uma jersey Deceuninck Quick-Step original custa cerca de U$$ 130 lá fora, entretanto essa versão falsificada – que apresenta os principais logotipos do patrocinador, mas omite notavelmente o “S” Specialized – sai por apenas US$ 10 (foto).

Lanterna Original
Lanterna Fake
Jersey Original
Jersey Fake

 

Financeiramente, as vendas de produtos piratas prejudicam a Specialized e o restante da indústria de bicicletas, mas Andrew também observa o grave problema de segurança na compra de capacetes e bikes pirateadas.

Enquanto uma jersey falsa não consegue dissipar muito bem o suor, um capacete pirata pode não salvar uma vida. “Não podemos ser responsabilizados por falhas de capacetes e quadros de fibra de carbono que não produzimos”, disse um porta-voz da Specialized.

Em seu site a Specialized comparou um capacete original S-Works Evade com uma imitação. O produto pirata, que não possui uma estrutura interna para reforçar a espuma EPS, é esmagado com facilidade (foto).

O que pode ser feito sobre os produtos piratas de bike?

O julgamento de outubro não é o primeiro processo contra produtos pirata que a Specialized move. A empresa, que tem reputação de defender sua marca com unhas e dentes, processou 69 vendedores anônimos em 2018, acusando-os de falsificação e concorrência desleal.

Muitas vezes, os próprios vendedores são identificados apenas como contas Paypal ou números de loja AliExpress. Este último, por sua vez, tem cooperado com Specialized e com as autoridades norte-americanas no fechamento de perfis criminosos, diz Andrew.

Mas a maioria abre outra loja assim que tem uma fechada. Além disso, os vendedores podem usar redes sociais como o Facebook para promover suas vendas, e apenas concluem as transações no AliExpress ou DHGate. Dessa forma não precisam anunciar produtos falsificados.

Andrew diz que a Specialized trabalhou com a polícia chinesa para identificar um vendedor de quadros de fibra de carbono com a logo da marca. O suspeito estava administrando uma loja direta ao consumidor, uma abordagem mais arriscada, porém que gera margens maiores de lucro. E foi nessa falha que o pegaram.

Em seu estoque as autoridades descobriram lotes inteiros de quadros empilhados aguardando envio aos compradores. O responsável foi preso.

Cuidado com os compradores

A Specialized mantém uma página na web dedicada a ajudar os consumidores a identificar falsificações. A empresa orienta que você examine os produtos em busca de etiquetas mal impressas, materiais de aparência barata e preços bons demais para ser verdade, entre outras coisas.

Além disso, como regra geral, considere o local onde a empresa comercializa seus produtos. A maioria das marcas de ciclismo não é direta ao consumidor e não opera em mercados como o AliExpress.