O que são os clubes de ciclismo e como eles fortalecem o esporte

Por Verônica Mambrini

Treino do Fuga. Foto: Diego Cagnato

Pedalar em grupo traz um monte de benefícios: fortalece a motivação, favorece amizades, melhora a técnica, te leva para lugares diferentes e pode ser mais seguro. Felizmente, nunca houve tantos grupos de pedal com diferentes propostas, e com o crescimento do ciclismo de estrada, pintou uma nova modalidade: os clubes de ciclismo.

Eles são um pouco diferentes tanto dos grupos de pedal noturnos quanto das assessorias esportivas. Nos grupos de pedal vale ir com a bike que você tiver e as regras são mais flexíveis (uns pedem uso de capacete mas raramente sapatilhas de ciclismo são exigidas). Já as assessorias esportivas oferecem planilhas e ciclos de treino individualizados, de acordo com as metas do aluno – e nem sempre incluem pedais em grupo nos serviços. O foco dos clubes é outro: principalmente em fortalecer a cultura do ciclismo de estrada e criar uma comunidade.

 

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“O clube não oferece planilhas ou programas de treino, apenas nos encontramos e pedalamos. Além disso entendemos que o papel do clube vai além de apenas oferecer pedais, é difundir a cultura do esporte, incentivar a comunidade, o convívio e espaços para trocas também fora da bike, através de eventos, encontros, etc”, conta Paulo Zapella, um dos sócios do Fuga Cycling Club. O Fuga nasceu justamente de um grupo de amigos que já mantinha uma rotina de treino regular há bastante tempo.

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A cultura dos clubes de ciclismo de estrada é muito forte na Europa e nos Estados Unidos, principalmente. No Brasil, a realidade é bastante diferente. “É praticamente impossível reproduzir os modelos dos clubes gringos aqui”, conta Zapella. “Mas mantemos a essência dos pedais sociais, ou club rides como chamam lá fora.”

Em outros países, os clubes podem oferecer diversas modalidades, como mountain bike, estrada, infantojuvenil. “Nós trabalhamos especificamente com ciclismo de estrada. Como não damos nenhum tipo de aula, a pessoa já tem que vir pronta pra rodar: bike de estrada, sapatilha, capacete”, explica. Isso não quer dizer que o clube comporte apenas ciclistas avançados. A divisão por níveis de pedal ajuda a receber e integrar iniciantes e haverá pedais e eventos abertos a não-sócios.

Mulheres no rolê

 

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O Pelotão das Minas é um grupo que tem todo jeito de clube de ciclismo. Quem puxa é a embaixadora da Specialized Renata Mesquita, toda quarta-feira às 7h na ciclovia da marginal Pinheiros. O treino é aberto e tem ritmo intermediário. “Vem muitas mulheres que acabaram de comprar a speed e querem achar companhia para evoluir, não querem mais fazer aquele pedal em ritmo de passeio”, conta Renata.

Além disso, rolam outros eventos com apoio da Pedal Urbano, como treinos na estrada. “Temos também as Escapadas na Mantiqueira e estamos preparando outros eventos maiores e com mais estrutura”, conta. Nos últimos 2 anos, ela formou uma comunidade com cerca de 100 mulheres, que marcam pedais por conta própria, além de terem alguns benefícios e descontos nos parceiros do Pelotão.

 

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No meio do caminho entre um clube e uma assessoria, estão os giros do Lulu Five, braço da 5Ways Coaching. “Começou como uma forma de ensinar as técnicas para as mulheres melhorarem sua performance. Estamos fazendo um trabalho de inclusão, mostrando que qualquer mulher pode subir melhor, descer melhor, performar na bicicleta. Ela começa a acreditar que é para ela também”, conta Gisele Gasparotto. “Eu respeito o tempo de aprendizado de cada uma e vejo o resultado no ciclismo feminino crescendo.”

No caso do Lulu Five, Gisele orienta com relação a técnicas com ciclismo de estrada, e é possível assinar apenas essa parte. “Geralmente quem já está em busca de alta performance tem supervisão da educadora física da 5Ways”, explica.

Saiba mais:
- Fuga
- Pelotão das Minas 
- Lulu Five